Brutti, sporchi e cattivi
Quem são os admiradores de Olavo de Carvalho e apoiadores de Bolsonaro?

Tomássemos ao pé da letra o que diz a mídia mainstream, creríamos que só perfazem a massa de alunos do filósofo e fãs do político ou pessoas muito obtusas e xucras — como diria Reinaldo Azevedo —, ou sociopatas com tendências ao totalitarismo genocida.

Em resumo: obscurantistas, incivilizados, propagadores de todo ódio que há neste mundo, discípulos de Pandora, títeres do Diabo.

Para a imprensa esquerdista, na medida mesma em que se descobre no sujeito um lampejo de direitismo, tanto mais de direitismo conservador, ele se torna uma não-pessoa, vira um manequim oco a ser livremente preenchido pela inventividade de jornalistas militantes, universitários narcóticos e políticos adversários.

***

Uma das incontáveis vítimas desse expediente difamatório é o empresário Otávio Fakhoury. Fakhoury, aliás, que já foi considerado gente pela grande mídia.

Em matéria de 2011, o G1 o trata com muitas mesuras e deferências, chamando-o de experiente gestor. Na ocasião, fizeram com ele, ainda quando homem e não farrapo direitista, uma entrevista sobre a crise de 2008, fenômeno a que ele assistira desde dentro, player que era do mercado financeiro.

Pois, para saber mais do homem que existe por debaixo da pintura de besta-fera que lhe fizeram, fui até o seu escritório na Faria Lima, numa sexta de garoa intermitente, e reproduzo aqui, tal qual ouvi, a sua história — não a lenda negra.


Antepassados
Fakhoury é filho de tradicional família de imigrantes libaneses. Um de seus bisavôs, pela lado materno, foi Salem Arahaune, que acabou virando Salem Carone por má percepção fonética dos italianos responsáveis pelo navio que o trouxe desde o Levante até o Porto de Santos, em fins do século XIX.

No Brasil, Salem Carone, mascate de origem, teve como sócios, em negócios na 25 de março, ninguém menos que o Conde Matarazzo, maior empreendedor da história nacional ao lado do Barão de Mauá, e Geremia Lunardelli, alcunhado o Quinto Rei do Café.

Porém, a sociedade badalada logo se desfez, e cada qual, com muito sucesso, seguiu no seu ramo: Matarazzo com seu Império de tijolos e cerâmicas; Lunardelli nos seus imensos pastos e fazendas interior adentro; Carone no mercado têxtil.

O outro bisavô, do ramo paterno, era Elias Zarzur, cristão melquita que migrou no início do século XX fugindo da perseguição islâmica dentro do Império Turco.

Esse lado da família deu-nos uma Violeta Zarzur Fakhoury, filha de Elias que fez parte da Sociedade Beneficente de Senhoras, a que fundou o prestigiado Hospital Sírio-Libanês, e Ernesto Zarzur, fundador da EZTEC, das principais construtoras que há no país.


Carreira
Mas Otávio não seguiu pelas veredas do comércio, tampouco se dispôs a erguer edifícios Brasil afora. Ele foi por uma outra via, também essa iniciada pelos seus antepassados: a do setor financeiro.

É que seu bisavô Elias acabou fundando uma casa bancária para atender os comerciantes do Centro de São Paulo, sobretudo os imigrantes libaneses. Quer dizer, também nasceu desse mesmo cedro, na década de 70, o Banco Mercantil de Desconto, instituição de médio porte que, antes de ser liquidada, em 1998, chegou a atender mais de 50 mil correntistas, em 33 agências.

Pois Otávio seguiu os caminhos do pai, o já falecido Oscar Fakhoury, que foi presidente do BMD, atraiu-se por esse universo dos números, das ações, dos investimentos, formou-se em Administração na Faculdade Getúlio Vargas, e, logo cedo, ainda estagiário, cavou espaço numa das maiores instituições financeiras do mundo, a Chase Manhattan, do grupo J.P. Morgan.

Dali, sua carreira deslanchou.

Em 1995, entrou no Citibank, atuando em São Paulo, e, como se destacasse, o banco o transferiu para a sede em Nova Iorque, em 2001.

Otávio, com efeito, foi testemunha ocular do 11 de setembro:

“Eu estava trabalhando nas proximidades quando tudo aconteceu. Perdi dois amigos brasileiros naquele dia. Eles estavam no andar 102 do World Trade Center. Com um deles, que era meu broker, eu conversei momentos antes. Liguei cobrando os negócios do dia e ele me pediu para esperar. Foi a última vez que nos falamos”.

E mais:

“Quando saí do prédio, vi no meio daquela confusão o repórter de uma agência de notícias com a câmera apontada para o topo do prédio. Pedi para olhar. Aquilo que eu achava serem destroços, eram pessoas dependuradas, ameaçando se jogar. E eu as vi se jogando. Aquilo embrulhou meu estômago. Saí dali e fui pra casa, a pé. Atravessei quase cem quadras me sentindo muito mal. No que estava chegando, vi o primeiro prédio desabar”.

Apesar de todo o trauma, do medo que se espraiou por toda a América, Fakhoury permaneceu mais dois anos no Citibank, até que em 2003, com muitos louros, escolhido a dedo pelos próprios clientes, foi contratado pelo gigante Merrill Lynch.
Depois, como desempenhasse ali, em NYC, um trabalho de excelência, o banco o designou para reestruturar as operações de renda fixa aqui no Brasil, isso no ano de 2005.

“Voltei para o Brasil e montei minha equipe. Nossa meta era bater 50 milhões em lucro no segundo ano. Dobramos a meta. Fizemos 100 milhões”, disse ele.

E continuou.

“Era um momento bom da economia brasileira. Vivíamos o boom das commodities, o que alavancou o governo Lula. Os estrangeiros estavam investindo bastante por aqui”.

O sucesso, tanto na organização da equipe, quanto nos resultados práticos, com transações memoráveis e quebras de recordes, fez com que um outro titã do mercado financeiro, o tradicionalíssimo Lehman Brothers, comprasse — a peso de ouro — o passe do craque Fakhoury.

E aí se deu o episódio nevrálgico, o ponto inflexão na carreira e na vida de Otávio: a crise de 2008.


O crash e a red pill
O Lehman Brothers foi pelos ares quando em 2008 estourou a imensa bolha imobiliária norte-americana. O banco fundado em 1850 quebrou, para surpresa geral — como ficaram surpresos os que viram o Titanic afundar. E isso se deu logo no que Fakhoury estava de chegada, mal conseguiu dar os primeiros passos na instituição.

No entanto, o fato notável é que a queda deste e de outros bambambãs do mercado financeiro causou uma profunda impressão em Otávio, inspirando nele reflexões tais as de um patrício romano ante a devastação da Cidade Eterna — ou, vá lá, dos violinistas diante do naufrágio do Titanic.

“Eu resolvi sair do mercado. Estive dentro do furacão. Vi as empresas quebrando, vi gente desesperada, gente se jogando do prédio, como o ex-presidente de um banco internacional. Foi então que decidi não mexer mais com dinheiro enquanto eu não entendesse exatamente o que tinha acontecido”.

O que aconteceu? Foi essa a pergunta que Fakhoury se propôs a responder.

Entretanto, como as explicações dos especialistas convencionais do mercado não o convenceram, ele resolveu buscar fontes alternativas. E, de muito procurar, encontrou o que cuidou serem as pistas mais seguras:

“Li pelo menos uns quatro analistas, cada um com um enfoque diferente, que previam o crash com uma incrível assertividade. Um deles, o Robert Prechter, escreveu, em 2002, o livro Conquer The Crash, livro que previa com perfeita exatidão a quebra: disse quando seria, e que seria nos imóveis, assim, assim, assado”.

Nos seus estudos, ele chegou ao entendimento de que, no último século, essas grandes crises, como a de 1929, estavam intimamente ligadas às políticas do Federal Reserve, o Banco Central americano.

Fakhoury foi então estudar a origem do FED e se deparou com a realidade do globalismo:

“O FED não é um banco público. É a reunião de banqueiros privados. Foi assim no começo, na sua fundação. Então fui pesquisar quem eram esses fundadores e vi que eram membros de importantes famílias das elites americana e europeia, como os Rockefellers, os Rothschilds, e outras. Ou seja, um grupo de banqueiros decidindo os rumos da economia mundial, pois é o FED quem controla a oferta de crédito, eles que colocam ou tiram dinheiro de circulação. Descobri, então, que o crash de 29, o de 2008, e o que veremos agora, quando estourar a nova bolha da renda fixa, foram diretamente influenciados pelas decisões desse pequeno grupo que controla o FED”.

Foi aí que Otávio encontrou Olavo.

O filósofo é das vozes mais importantes no mundo ocidental a falar desse fenômeno sintetizado no FED: a ingerência de grupos de megabilionários que, dado o poder de influência que as fortunas lhes garantem, tentam controlar o rumo de nações inteiras.

Ao se deparar com as explicações que Olavo dava nos seus vídeos no YouTube e nas centenas de artigos, nos ensaios, nos livros, ao se deparar com esse farto material tão solidamente apresentado, o consagrado analista, homem que passara pelos maiores bancos do planeta, homem de berço importante, virou um olavete.


Dos 20 centavos à militância
A confirmação de que, como diz o bordão dos admiradores, Olavo tinha razão, se deu a partir de 2013.

“Quando estouraram aquelas manifestações de junho de 2013 eu percebi que alguma coisa importante estava para acontecer. Num dos protestos, estava trabalhando aqui, na Faria Lima, ouvi o barulho, desci e fiquei na esquina, só observando. Fiquei quase uma hora vendo os manifestantes, as placas, ouvindo as palavras de ordem. Ainda eram protestos organizados pela esquerda. Vi como se transformou, como foram tomando as ruas os brasileiros apartidários, com suas várias indignações”.

E Fakhoury também era um brasileiro indignado.

O financista aderiu aos movimentos populares e engrossou o coro dos “camisas amarelas”. Com efeito, esteve na Avenida Paulista de 2014 em diante gritando pelo “Fora, PT”, pelo “Fora, Dilma”, pelo “fim do Foro de São Paulo”. Quer dizer, compôs a amálgama de grupos, militantes independentes e cidadãos comuns que clamavam altissonantes por mudança — seja pela vida da moralização da política, com o fim da corrupção, seja pela luta mais encrespada contra o movimento comunista, a causa última da corrupção.

Mas, como sói ser, nessa amálgama inicial havia elementos heterogêneos. Na mesma multidão, lutando pelos mesmos objetivos, estavam Fakhoury e seus perseguidores, como logo se vai ver.

Cumpre contar que, nessas manifestações, Fakhoury aproximou-se de alguns grupos, como o Vem Pra Rua — do qual saiu, poucos meses depois, ao ver que era ligado ao PSDB — e o Acorda Brasil, que hoje é o Avança Brasil.

Neste último, diga-se, esteve mais engajado. Durante os tempos de Acorda Brasil, Fakhoury foi se afastando dos grupos de caráter estritamente liberal, como o MBL, e guinou à direita conservadora, aproximando-se de nomes como Bia Kicis e Luiz Phillipe de Orleans e Bragança, hoje deputados federais governistas.

Quanto ao relacionamento com Kicis, vale uma nota: em 2015, eles foram à Virgínia conversar com Olavo de Carvalho:

“Passamos alguns dias lá. Batemos papo, gravamos, demos tiros com o rifle do Olavo, o famoso rifle de matar ursos. Sentamos pra jantar com ele. Foi demais. Uma coisa bem familiar”.


Voltando ao Acorda Brasil
Como esse grupo tivesse atuação mais discreta, mais de bastidor, Fakhoury viajou algumas vezes à Brasília, e, numa dessas, também em 2015, encontrou-se com o então deputado baixo-clero Jair Bolsonaro.

“Quem nos apresentou foi o Coronel Gobbo, o que estava recentemente cotado para assumir o MEC. Chegamos lá no gabinete e estavam o Bolsonaro e o Eduardo. O Jair estava atendendo ainda. Seu gabinete era o último a fechar. Depois do expediente, saímos dali e fomos para o Hotel Saint Paul, onde eu estava hospedado. Ficamos na área da piscina, conversando, eu tomando um drink, eles tomando suco, já que estavam dirigindo. Inclusive isso foi uma coisa que me chamou a atenção positivamente, o fato de eles não beberem aquele dia”.

Ali Fakhoury conta que já suspeitava no parlamentar raia miúda um candidato forte ao Planalto.

Entretanto, malgrado tenha havido simpatia mútua, esse primeiro contato não se estendeu.

Daí que o segundo encontro só tenha ocorrido dois anos mais tarde, em 2017, quando Fakhoury serviu como tradutor simultâneo numa conferência entre Bolsonaro, Olavo de Carvalho e o cientista político norte-americano Jeffrey Nyquist.

“Foi a única vez que estive num evento ao lado do Bolsonaro. É toda a minha ligação com ele”.


Do PSL aos Processos Kafkianos
No entanto, se foi assim com o Bolsonaro pai, diferentemente se deu com Eduardo, o filho Zero Três.

Eduardo Bolsonaro é político pelo estado de São Paulo, e, nos anos que antecederam às eleições de 2018, esteve a percorrer o estado, reunindo em torno de si apoiadores qualificados tanto para a campanha do pai, quanto para a sua própria.

Chegou então em Fakhoury que, embora não tomasse parte no conselho de campanha, financiou alguns candidatos conservadores, como cidadão privado, e cedeu um andar na Faria Lima para que a equipe do PSL organizasse o processo eleitoral — incluindo uma saleta especial à Joice Hasselmann.

Dada essa aproximação, o núcleo pesselista de São Paulo, comandado por Eduardo, convidou Fakhoury para ser o tesoureiro do diretório municipal, já com Bolsonaro eleito. Ocorre que o PSL, partido do presidente, receberia um gordo Fundo Partidário a ser aplicado nas municipais do ano seguinte. Portanto, urgia encontrar um administrador não só experiente, mas, sobretudo, de biografia ilibada.

Fakhoury foi convidado e aceitou. E começou aí todo o seu imbróglio com a Justiça.

Porém o nome de Fakhoury foi parar na mesa de ministros dos Supremos e na boca de jornalistas do noticiário policial não por malversação dos recursos — que nem chegaram ao partido enquanto o analista esteve lá —, mas simplesmente porque ele acabou no meio de um bang-bang político.

No primeiro semestre de 2019, todos sabem, tensões entre o ex-ministro Gustavo Bebianno e o vereador Carlos, entre os deputados Joice Hasselmann e Eduardo, e entre o próprio Jair e Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, causaram um racha insanável no partido.

Nessa pendenga, como não poderia deixar de ser, Fakhoury ficou com a ala bolsonarista. E isto lhe custou caro.

Mas para entender o sentido da afirmativa, vamos às origens da chamada CPMI das Fake News.

Escrevi outro dia sobre Luciano Ayan, a mente maquiavélica por detrás de todos esses jargões que a mídia mainstream e políticos de esquerda tem utilizado para coibir as manifestações legítimas da direita conservadora: gabinete do ódio, milícia digital, robôs bolsonaristas etc.

O fato é que Ayan, guru do MBL e muito próximo a outros liberais famosos, já falava dessas quimeras antes de ter qualquer indício mais concreto de suas existências. Falava, desde o começo, é verdade, no sentido de fazer guerra política contra seus desafetos conservadores. Falava também, e isso é de somenos, para aumentar seu prestígio nos jantares da direita permitida de selo azul com coluna na Folha de São Paulo e no caderno cultural do Estadão.

Acontece que em abril de 2019, Ayan, invertendo a lógica, enfim encontrou um fato que, bem forçada a narrativa, serviria como lastro às suas pré-fabricadas acusações.

É que Fakhoury se reuniu em São Paulo com um grupo de ativistas e formadores de opinião conservadores, incluindo o assessor da presidência Filipe Martins, a fim de debater os rumos do governo Bolsonaro, que completava os 100 primeiros dias, e definir as prioridades da militância — à época, discutia-se a Reforma da Previdência.

O encontro fora marcado por um grupo de WhatsApp que tinha entre os participantes um(a) infiltrado(a). E o(a) alcaguete passou uma série das mensagens ali trocadas para o jornalista Felipe Moura Brasil, do Antagonista.

Em consequência, FMB, que sempre teve boas relações com os mesmos liberais que banqueteavam com Luciano Ayan, publicou uma matéria na Revista Crusoé, em outubro de 2019, supostamente destrinchando os funcionamento da “milícia virtual bolsonarista” — milícia, diga-se, patrocinada por Fakhoury, segundo o Pim dava a entender.

Somou-se, então, as elucubrações conspiratórias de Ayan com a matéria do FMB, e, voilà, surgiu o dossiê que ensejou a CPMI das Fake News.

Aqui está o elo causal entre a atuação de Fakhoury no PSL e sua inclusão nos processos kafkianos do Supremo Tribunal Federal.

Acontece que a responsável por fazer prosperar na Câmara a tal CPMI foi ninguém menos que Joice Hasselmann, auxiliada por Alexandre Frota, ambos capitaneados por Luciano Ayan, o responsável pela peça acusatória.

Sabe-se que a CPMI, enquanto processo investigatório, deu n’água.

O ponto alto foi o antológico depoimento do marqueteiro Hans Rivers que, ao contrário do que se esperava, entregou o jogo e revelou que era o PT que se beneficiava dos tais disparos massivos de mensagens em ataque aos seus adversários.

No mais, teve vexame do Alexandre Frota — que apresentou como prova, na CPMI das Fake News, o print de um perfil falso; o Allan dos Santos mostrando que o Davi Miranda já dita leis, mas ainda não descobriu que a oração se forma por sujeito e predicado; e muito bate-boca infrutífero.

Acontece que essa CPMI teve dois efeitos exteriores: um midiático e ou judicial.

Embora nada se provasse, conquanto não se achasse os tais funcionários pagos para destilar ódio, ou o exército de robôs malcriados, ou uma rede de opinadores pagos com dinheiro público para defender o governo, os tais “blogueiros de crachá”, malgrado nada disso se comprovasse, a mídia emplacou a narrativa de que essas coisas todas não só existiam, como eram da mais alta periculosidade, que eram um risco à segurança do país, a causa latente da queda do regime democrático.

A Globo, por exemplo, gastou valiosíssimos minutos nessa cantilena. Bonner apresentou várias reportagens no Jornal Nacional; Tadeu Schmidt fez o país assistir a matérias especiais, longas e detalhadas, como aquelas que investigam terroristas internacionais, com o mesmo tom, as mesmas músicas de fundo.

E todos os jornais esquerdistas seguiram a mesma toada. Manchetes e mais manchetes no UOL, Folha, Estadão, Correio Brasiliense, Terra etc. denunciavam, com grande alarde, o gabinete, as milícias, os abusos antidemocráticos. Ademais: apontavam o fascismo, o nazismo, o fanatismo louco desses sujeitos que, inumanos, crápulas, postavam memes políticos no Twitter e faziam piadas em grupos privados de WhatsApp.

Quer dizer, a mídia criou um estereótipo, colou uma pecha, colou uma estrelinha amarela no casaco dos apoiadores de Bolsonaro.

E foi com base nisso, ou seja, em delírios de um sujeito agora investigado por lavagem de dinheiro, em uma matéria infamante de um jornalista ressentido, em uma CPMI bolada por uma deputada vingativa, e em uma campanha organizada pela grande mídia esquerdista, foi com base exclusivamente nessas coisas que a Suprema Corte iniciou os Inquéritos: tanto o das Fake News, quanto o dos “Atos Antidemocráticos”.

E Fakhoury entrou no bolo: ligaram-no tanto às supostas notícias falsas disseminadas durante o pleito de 2018, quanto às alegadas tentativas de derrubar a República — com biribinha, coreografia e grito de guerra.

A 27 de maio, agentes de PF devassaram seu escritório, logo pela manhã, e foram até a casa de sua mãe, já idosa.

As autoridades, sob as ordens de Alexandre de Moraes, apreenderam seus computadores e celulares. Ele foi convocado a dar esclarecimentos na delegacia. Estava, doravante, no rol dos bandidos.

Otávio Fakhoury, o executivo bem-sucedido, hoje investidor do mercado imobiliário, do dia pra noite virou alvo de diligências da Polícia Federal.

O castigo sem crime

Mas, de qual crime o acusam?

Ele responde:

“Não há crimes tipificados no processo. Quer dizer, eles não conseguem apontar o motivo de estarem me investigando. Estão com meus aparelhos há meses e não acharam nada. Ao contrário do que fizeram com o Adélio Bispo, eles quebraram meu sigilo telefônico. Meu celular foi escrutinado pela PF. O do Adélio, não. E não tem nada. Além disso, até hoje meus advogados não tiveram acesso completo aos autos”.

Além disso, declara que não teve envolvimento algum com disparos de mensagens durante a campanha presidencial — atendo-se, como ficou dito, a ajudar candidatos específicos do estado de São Paulo, dentro dos limites da lei — e que jamais teve conduta que se possa chamar antidemocrática.

“Democracia não é só a vontade da maioria. É também o império da lei. A conduta que vai contra as leis, que foram criadas no Congresso, que é justamente a expressão da maioria, é, por definição, uma conduta antidemocrática. Eu penso democracia nesses termos. Porque a semântica da palavra democracia é a coisa mais variável que existe: a China fala que é democrática, a Coreia do Norte também, o Lula disse que o problema da Venezuela do Maduro é que lá tem democracia demais. Enfim. Então, penso em termo mais concretos: está dentro da lei, é democrático. Ponto. E eu não fiz nada contra a lei. Pelo menos eles não conseguem provar nada.”

E continuou:

“Eu, por exemplo, nunca defendi fechar Congresso ou STF. Eu prezo pelas instituições, mas tenho o direito de criticar pessoas que estão lá. O que há de antidemocrático nisso? Ninguém me mostra uma única atitude antidemocrática da minha parte. Agora, o Maia, por exemplo, ele, sim, é antidemocrático. Ele é quem fechou o Congresso durante a pandemia e votou uma porção de coisas sem o amplo debate. Isso é uma atitude antidemocrática. Reclamar de uma decisão do STF, usando de minha liberdade de expressão nas redes sociais, não é”.

E sobre uma possível proximidade à ativista Sara Winter, alvo principal do Inquérito dos “Atos Antidemocráticos”:

“Não tenho contato com a Sara Winter e com o pessoal do grupo dela”.


Não foge à luta
Resta claro que todo esse movimento inquisitório tem como fim tapar a boca das milhões e milhões de pessoas que se engajaram politicamente nos últimos anos e levaram um político outsider à presidência da República.
Aliás, não é o que a imprensa americana, em conluio com os maiores magnatas da
Terra, está fazendo com Donald Trump?

Os conservadores estão acossados, estão encurralados por gente graúda, gente com meios de mover todo um aparato judicial-policial, gente capaz de transformar humanos em monstros por meio de insistente narrativa midiática, gente que não se vexa em intimidar, em assediar, em fazer o oponente perder emprego, perder
amigos, perder a paz e, quiçá, a sanidade.

Esse é o cenário.

Mas há quem seja bom de briga, há quem, como diz nosso hino, não fuja à luta diante da injustiça. Pois é o caso desse empresário.

Em atitude contrária ao de seus pares, que, em regra, seja por conivência ou covardia, preferem omitir-se diante dos desmandos, Fakhoury resolveu não só continuar na labuta por um país mais justo e digno, como avisou que vai ampliar a empreitada.

É que agora ele é vice-presidente do Instituto Força Brasil, uma associação apartidária, mas de viés conservador, composta por civis e militares. O plano de Fakhoury, daqui para frente, ele disse, é trazer os projetos pessoais para o escopo do Instituto, que tem personalidade jurídica menos vulnerável que a do cidadão comum.

E dentre os objetivos para breve, a entrar no guarda-chuva do Força Brasil, está o de fundar uma rádio conservadora — coisa inexistente no país.

Fakhoury confirmou que já foi sondar o mercado e que estuda algumas ofertas para locar rádios obsoletas.

“O projeto ainda não saiu da prancha. Está em fase de pesquisas. Mas agora, com a publicidade gratuita que me deram, depois que vazaram conversas em que falo de criar a rádio, depois disso aparecerão mais propostas e vai deslanchar”.

E mais:

“Não tem que esconder. A locação de um espaço, de uma rádio, por exemplo, é uma operação estritamente privada, entre dois entes privados. Não tem nada do governo, nem dinheiro, nem autorização”.

Esse ponto o empresário realçou, pois a imprensa, em posse dessas informações, passou a aludir algum conluio de Fakhoury com membros da família Bolsonaro, em especial Eduardo, a quem ele pediu contatos que o ajudassem na pesquisa de mercado. Como seja, mais uma página nesse grosso livro de difamações.

Voltando à pergunta inicial — que refaço, após essa longa história: quem são os apoiadores do presidente Bolsonaro e alunos do Olavo de Carvalho?

São pessoas como Otávio Fakhoury. São pessoas de carne e osso, pessoas com histórias ricas, pessoas que vieram de várias partes do mundo, e que fizeram muitas coisas nesse mundo, que têm seus valores, suas aspirações, suas famílias.

Sendo assim, a diferença que há entre uma manchete injuriosa e uma minibiografia, como essa, é justamente a diferença abissal que há entre a propaganda e a realidade.

E foi uma história verdadeira, viva, humana, que ouvi naquela sexta tipicamente paulistana. E, tal qual ouvi, contei.

 

Fábio Gonçalves- Brasil Sem Medo.


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