Quem deve ser vacinado primeiro?

 

Conforme se ouve generalizadamente na atual situação de pandemia global, é eticamente questionável a priorização do grupo mais jovem da sociedade, responsável pelo fluxo de rotatividade econômica do país, quanto à imunização. Uma vez que os idosos compõem o grupo mais vulnerável a complicações decorrentes da Covid-19, chega-se facilmente à conclusão de que a mera cogitação da inversão dessa ordem de vacinação é um absurdo.

Entretanto, a análise da situação de forma séria e responsável não é eticamente recriminável, é na verdade, uma demonstração de cautela a longo prazo, no que tange aos diversos parâmetros de gestão da sociedade.

A Indonésia escolheu imunizar inicialmente a população trabalhadora, não apenas devido ao caráter econômico, mas porque a vacina a ser distribuída no país não havia sido testada em pessoas idosas. A CoronaVac foi o imunizante escolhido pela Indonésia, mas diferentemente de lá, a questão de não ter sido testada em idosos não parece incomodar os especialistas brasileiros, de modo geral.

Segundo o governo asiático, a estratégia escolhida beneficiará a proteção orgânica dos idosos, uma vez que os membros que transitam entre trabalho e lar estarão imunizados.

Siti Nadia Tarmizi, funcionária do Ministério da Saúde da Indonésia e porta-voz do programa de vacinação contra covid-19, defendeu a decisão afirmando que em seu país é quase impossível isolar as gerações de risco dos mais jovens a nível domiciliar.

"Imunizar os membros que trabalham em uma família significa que eles não estão trazendo o vírus para dentro de casa, onde estão seus parentes mais velhos. Portanto, é um benefício adicional dessa abordagem, que ao vacinar pessoas de 18 a 59 anos também oferece alguma proteção aos idosos com quem vivem", disse Nadia. Conforme noticiou a BBC.

Argumenta-se que sobre as vacinas desenvolvidas não se pode afirmar se haverá a diminuição da transmissão do vírus ou apenas uma diminuição de casos graves.
Mas mesmo sob essa incerteza, a mera ideia de se vacinar a frente trabalhadora de um país é vista como um tabu.

Enquanto as dúvidas e hipóteses permeiam o meio científico, a realidade crua e devastadora da fome e da miséria assola a população mais carente de forma explícita e exponencial.

A ética que defende o lockdown, ou a inquestionabilidade de vacinação prioritária dos trabalhadores, é a mesma que diz ao povo esfomeado “o choro é livre”, como o fez Maju Coutinho, a repórter da Globo.

O choro, a fome e a miséria são livres. Só não o povo.


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